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Live no Youtube – Lançamento Coleção Precursoras

Alegria imensa é divulgar mais um lançamento, ainda mais dentro de um contexto regional e mundial tão difícil como o atual: pandêmico. Porém, seguimos com flor e garra, como tudo na natureza.

Portanto, com muita alegria, convidamos vocês para o lançamento da Coleção Precursoras com o primeiro volume: Ensaios – Direitos das Mulheres e Injustiça dos Homens, e A Mulher, da Nísia Floresta. Com ensaio e notas da professora e pesquisadora Constância Lima Duarte (@duarteconstancia ) – maior referência nos estudos e resgate da obra de Nísia.

Será um delicioso bate-papo com as nossas curadoras dessa Coleção, Constância (UFMG) e Maria do Rosário (CEFET/MG) – (@mralves58 ) sobre a importância das obras de tantas escritoras desconhecidas para nós, sobre as pesquisas em crescimento de obras de mulheres e toda a temática que permeia escrita, história, mulheres e edição.

No canal (clique aqui para acessar) , você já pode acionar o lembrete do evento! Próxima quarta-feira, 18/11, às 18h30, no YouTube!

Nos vemos lá!

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Entrevista com Deh Mussulini

Entrevista via e-mail. Perguntas elaboradas por Cecília Castro – Editora Luas

1 – Deh, você foi a primeira autora publicada pela Editora Luas, com o livro de poesia “Todas as primaveras em mim”, como aconteceu o convite e o processo de produção do livro? Como você se sentiu?

Após um show meu que a Cecília, dona da editora foi assistir, veio o convite de fazer o que seria o primeiro livro da Editora Luas. Meu livro de poesia. Para mim foi muito inusitado!, eu nunca havia me visto como uma escritora, muito menos de poesia. Mas Cecília disse que os textos, as letras das minhas canções eram pura poesia. Engraçado que eu nunca havia pensado dessa forma, que minhas canções poderiam ser publicadas em um livro na forma de um livro poético. Então juntei escritos meus antigos, reli várias poesias e textos, alguns que viraram canções outros que apenas eram registros de um momento meu. Nesse movimento, fiquei muito inspirada (e extremamente grata), o que me incitou a escrever bastante. Muitos desses novos textos, poesias, prosas, entraram para o livro Todas as primaveras em mim.

2 – O seu livro é dividido em quatro Séries: Deusas, Eu, Natureza e Luas. Como foi o processo de construção do livro, seus critérios de seleção e organização dos poemas antes de entregar o material para a editora?

Acho que essa pergunta é quase uma continuação da pergunta anterior, então vou continuar a partir da resposta anterior…

No processo de buscar meus escritos e na inspiração de escrever mais textos, percebi que eles poderiam se agrupar em temas. Então, a primeira coisa que fiz foi agrupá-los por afinidade de assuntos. Interessante que foi um processo de autoconhecimento, pras estradas séries demonstraram meus principais pensamentos e vivências, também revelou meu universo de interesse. Dentro disso, selecionei os que considerei os melhores. Depois, passei para minha irmã Thamires, que é uma excelente escritora, para dar sua opinião, e para uma amiga, a Luana Aires, que considero uma grande poeta, para que ela também colocasse seu olhar crítico e sincero. É bom ter a opinião externa de pessoas que admiro muito o trabalho e que sei que teria paciência para ler um livro meu na caridade. (risos)

3 – Você se considera poeta? O que isso significa e como é ter consciência disso?

Hoje sim! A Editora Luas, na figura magnífica de Cecília, me levou a essa conscientização! Isso mudou radicalmente minha relação com minha própria palavra, com meus escritos. É empoderador! Arrisco dizer que me impulsionou a sonhar mais, no sentido literal, e a confiar mais na minha canção!

4 – Seu livro foi publicado no eixo “literatura contemporânea”, em uma editora que só publica mulheres… o que você pensa sobre isso e como isso dialoga com sua vida de mulher que está constantemente inserida em movimentos artísticos de mulheres/feministas?

É interessante quando eu percebo que na verdade eu sempre inseri a literatura no meu trabalho artístico/musical/feminista, pois foi a literatura feminista que me desenvolveu essa consciência do patriarcado. Foi uma frase que criei em uma hashtag #mulherescriando que impulsionou o maior festival de Compositoras do mundo: o Festival Sonora. E também a chamada desse festival que criei “A revolução virá pelo ventre” nos guiou em toda modulação e formulação desse festival que inspirou inúmeras mulheres e se desdobrou em dezenas de ações pelo Brasil! Fora meu trabalho musical que é todo inspirado nas mulheres e no movimento feminista com um cunho espiritualista… pois é… tá tudo junto e misturado no final das contas. (risos)

5 – Quais outras manifestações artísticas você traz para o mundo e quais projetos você já participou?

Acho que meu trabalho de música inserida nas terapias holísticas que trabalho é uma outra forma que criei de manifestação musical no meu universo pessoal. Usar a música como um instrumento para estabelecer a boa saúde mental para o público é algo que gosto muito.

E sobre outros projetos, nossa… já participei e participo de vários, mas destacaria: Coletivo Ana, Coletivo mulheres criando e InVentos.

6 – O que você diria para mulheres que têm um a sensibilidade para a escrita mas acham que o que escreve não é “bom”?

Se você for esperar achar que tá bom suas criações de uma forma geral para então publicá-las ou divulgá-las, isso nunca acontecerá. Vai com medo mesmo e com todas as imperfeições que você enxerga! O que não é perfeito nesse mundo e a busca da forma ideal é apenas mais uma faceta da procrastinação e boicota seu crescimento como pessoa, como mulher! Como diz Jodorowsky: “Todo lo que vás a ser, ya o eres. Lo que buscas ya está em ti.” ❤️

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“Todas as primaveras em mim”

Deh Mussulini, publicado em outubro de 2019 pela Editora Luas Belo Horizonte/MG.
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Uma retrospectiva: 1 ano de nascimento da Editora Luas

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Agora em novembro de 2020, a Editora Luas completa um ano de vida no mercado editorial, quando trouxemos o primeiro livro “Todas as primaveras em mim”, da Deh Mussullini, inaugurando, com poesia, o eixo “Literatura contemporânea”.

De lá para cá, muita história… mas antes disso também! Comecei a gestar a editora em 2015, quando a energia em mim era de impulso de criação, dentro de um contexto forte, individual e coletivo, feminista. Transformar injustiças, revoltas e ódios em criação, para mudanças em nós e em nosso entorno, não é fácil, nada romântico, nem sempre consciente, mas algo surge, se estamos abertas e atentas para isso, em movimento, como força de desejo e capacidade de materialização, de transmutação.

Minha “preparação” incluiu cursos diversos sobre preparação e revisão de textos, formação de editor; estágio voluntário em editora universitária para aprender na prática – fiz na Editora UFMG, e tive parceiras incríveis (obrigada queridas Lira, Ana e Roberta!), local onde aprendi muito e guardo imenso carinho!; cursos e reuniões do Sebrae sobre planejamento, definições de público, plano de negócios etc. (porém, tenho mais críticas do que coisa boa para falar do Sebrae…); contatos com editoras/es para tirar dúvidas, perguntar sobre seus processos; participação em encontros de editores, mesmo ainda não sendo, para trocas e aprendizagens… Brinco que meu ascendente em capricórnio faz isso comigo: eu preciso fazer cursos e experimentar muito para me “sentir pronta”. E esse sentir não chegou quando decidi convidar a primeira autora para publicar, mas eu fui assim mesmo. E deu certo. Está dando.

Hoje, comemorando este primeiro ano, temos 4 livros publicados: um de poesia contemporânea, dois de teoria sobre sexualidade da mulher/parto/orgasmo e o conceito de Matrística, e iniciamos a Coleção Precursoras, que vai trazer livros reeditados de autoras do século XIX e início do século XX junto com estudo e notas de uma pesquisadora contemporânea; o quinto livro no prelo; dois livros em processo de tradução; e mais quatro projetos de publicação em andamento; e, por fim, a possibilidade de lançarmos um selo infantil. Fizemos uma Chamada Aberta em janeiro de 2020 para recebermos originais de literatura das escritoras: recebemos 1769 arquivos e tivemos 940 participantes! O resultado sairá em dezembro deste ano. Dessa Chamada, publicaremos 2 obras, mas tentaremos publicar mais! Participamos de feiras literárias presenciais e virtuais, expondo e vendendo nossos livros; fizemos lives conversando com convidadas muito especiais (está tudo salvo no Instagram da editora) e tentamos sempre trazer conteúdo interessante, divulgando diferentes projetos de diversas mulheres do universo da escrita e sob a perspectiva feminista.

O tempo todo sigo com muito frio na barriga e imensa alegria de ter como práxis feminista uma editora que trabalha com mulheres e publica exclusivamente escritoras. Sigamos por aqui, com flor e garra, que o segundo ano da Editora Luas está só começando e promete!

Abraços calorosos,

Cecília Castro – Fundadora e Diretora editorial da Editora Luas

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Resenha no site Literatura.br

A professora e pesquisadora Maria do Rosário A. Pereira (CEFET/MG) escreve excelentes resenhas de livros escritos por mulheres para o site: www.literaturabr.com. Em julho de 2020, ela escreveu uma resenha incrível sobre o livro TODAS AS PRIMAVERAS EM MIM, da Deh Mussulini, que começa assim:

“Todas as primaveras em mim (2019) é o primeiro livro de poemas da cantora, violonista e compositora Deh Mussulini. Publicado pela Editora Luas, editora esta focada em publicações de mulheres (o que preenche uma lacuna no mercado editorial brasileiro, como poucas iniciativas nesse sentido), a obra é uma estreia literária promissora: em uma edição primorosa, em papel couché e com belíssimas ilustrações de Karla Ruas, o livro, dedicado “à primavera das mulheres”, apresenta os poemas divididos em quatro séries: Série Deusas,  Série Eu, Série Natureza e Série Luas. Na primeira série, como o próprio nome indica, questões relativas ao lugar do feminino no mundo são contempladas por meio de alusões e correlações entre deusas de culturas distintas.(…)”

Você pode conferir na íntegra no link abaixo:

https://www.literaturabr.com/2020/08/19/todas-as-primaveras-em-mim/

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Sexualidade e parto são uma coisa só

É inimaginável para a maioria das mulheres pensar nestas duas palavras juntas: PARIR e PRAZER. Por isso, mas não só (e falarei mais adiante por que), um livro com o título Pariremos com prazer é intrigante, audacioso e chama a nossa atenção. Este é o título do livro de Casilda Rodrigáñez – uma pesquisadora, escritora, bióloga e feminista espanhola -, traduzido pela primeira vez no Brasil e publicado pela Editora Luas, em fevereiro de 2020.

Este livro reúne três artigos da autora: o primeiro, e mais ampliado, tem como título o mesmo do livro; o segundo, de nome “Parto orgásmico – testemunho de mulher e explicação fisiológica”; e, por último, o terceiro, “Estender a teia – o parto é uma questão de poder”. Artigos relativamente pequenos (o livro todo tem 128 páginas), mas nem por isso incompletos, pelo contrário: trata-se de um livro cheio de informações, de dados de pesquisas sérias e importantes, de referências para a construção dos argumentos e reflexões em torno dos temas sexualidade feminina, patriarcado e sua cultura de dominação dos corpos e sexualidade das mulheres, resgate da conexão com o útero, a importância do orgasmo para o bom funcionamento do corpo, além de outros aspectos.

O início da reflexão de Casilda é o seguinte: todo órgão do corpo humano, em seu funcionamento normal, não produz dor, o coração bate todo segundo e não dói, o pulmão se movimenta com a inspiração e expiração e não produz dor, e assim segue com outros órgãos; quando manifesta uma dor, em todos os órgãos, é sinal de problema. Assim também é com o útero. Por isso, não deveríamos normalizar e suportar, como se fosse um castigo divino (Deus diz a Eva: “Parirás com dor”), as dores relacionadas ao útero: na menstruação, no ato sexual e no parto, principalmente. E mais: segundo a autora, que a experiência da mulher com este órgão, o útero, seja desconectada e dolorosa é proposital e necessária para a manutenção das estruturas de poder dentro da cultura patriarcal, cultura esta repressora, moralista, e, desde a infância, antivida.

Além disso, a autora traz o foco para algo até então não mencionado nas pesquisas sobre sexualidade, desenvolvidas principalmente por homens durante o século 19: o parto também é um momento da sexualidade da mulher. Isso porque a disposição hormonal, fisiológica do corpo da mulher quando ela está parindo é igual a quando ela está tendo um orgasmo, porém mais potencializado. Para comprovar, o livro traz gráficos, dados de pesquisas sobre a sexualidade e o funcionamento do corpo, e também sobre a atuação do corpo da mulher quando vai ter seu bebê. Por exemplo, o útero é um órgão muscular forte e flexível para suportar o peso do bebê e a gravidade, também para crescer junto com o feto; e a sua abertura, o colo do útero, que deve permanecer fechado durante a gravidez para que aquele feto esteja protegido, abre no processo do parto junto à liberação de hormônios, principalmente a ocitocina – os mesmos hormônios liberados para a concepção, num ato sexual, mas não só.

No livro a autora comenta também sobre as culturas pré-patriarcais, investigadas por estudos atuais da antropologia, em que as mulheres tinham outra relação com seus corpos, de extremo prazer, e isso era passado culturalmente umas às outras. Casilda demonstra como, ao longo da dominação patriarcal, as mulheres foram perdendo a sua conexão com seu corpo, seu útero, e as consequências disso são terríveis: úteros espasmódicos, úteros mal (ou até não) desenvolvidos, desconexão com o próprio desejo e com o prazer de ter um corpo, e a manutenção do patriarcado (que é, simplificadamente falando, a dominação total dos homens, inclusive dos corpos das mulheres, sob o princípio da violência, explícita e implícita).

Após trazer tantas informações, Casilda propõe ações para resgate da nossa conexão com o útero: 1. Através do orgasmo; 2. Buscando conhecer esse órgão, por meio de informações, estudos, experiências conscientes; e, por fim, 3. Mudando nossa relação com o útero, exaltando-o, nos aproximando mais de sua representação simbólica e rechaçando as simbologias culturais negativas em relação a ele.

Pariremos com prazer é um livro que, à medida que lemos, vamos nos conectando com essa sabedoria que há dentro de nós, pois temos a impressão de que sabemos de tudo o que ele traz, de tão honesta é a escrita e a pesquisa dessa autora, um livro que vamos lendo também com o nosso corpo: surge alegria, empolgação, revolta desejo… desejo de saber que corpo é esse que pode viver vibrando em prazer! Também promove a vontade de compartilhá-lo com todas as mulheres. Por isso mesmo, inclusive, é um livro cujo PDF foi disponibilizado gratuitamente pela editora, e o impresso segue a preço acessível (visite nossa loja). Toda mulher PRECISA ler este livro, e os homens interessados em repensar o modo machista e patriarcal que temos vivido até aqui, com certeza também se interessarão.

Pariremos com prazer

“Pariremos com prazer”

Casilda Rodrigáñez, publicado em fevereiro de 2020 pela Editora Luas Belo Horizonte/MG. Resenhista: Cecília Castro.
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