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Entrevistas

As múltiplas Ana Elisa Ribeiro – Entrevista

Nossa entrevistada do mês é a professora e escritora Ana Elisa Ribeiro. Mineira de Belo Horizonte (1975), ela reside na mesma região desde a infância, numa história de afetos que remonta aos seus antepassados, quando da industrialização da cidade, no começo do século XX. Autora de mais de três dezenas de livros, Ana Elisa escreve poesia e prosa, para adultos e jovens, há mais de vinte anos. Os livros mais recentes de poesia são Álbum (Relicário, 2018), vencedor do prêmio nacional Manaus, e Dicionário de Imprecisões (2019, Impressões de Minas), finalista do Jabuti 2020. As pesquisas acadêmicas da professora têm focalizado o tema da edição de livros por mulheres, uma investigação necessária, já que há uma grande lacuna sobre essa história no Brasil. As perguntas que fizemos à poeta foram elaboradas por Lorrany Mota, estudante de Letras (Tecnologias da Edição) do CEFET-MG. 

1 – Ana, você, entre outras coisas, claro, é escritora, pesquisadora, professora, poeta… o que mais podemos dizer sobre você?

Dessas coisas listadas, eu gosto muito de ser escritora, que também pode ser uma decorrência de ser pesquisadora. Escrever é resultado de investimento, penso. Você lê bastante, repensa o lido, investiga mais, lê com motivações e objetivos diversos, termina por ter vontade de se expressar. Acho que sempre foi assim, no meu caso. E busquei fazer disso minha profissão. A poeta nasceu dessa vontade expressiva desde cedo, mas não sei se é, hoje, minha faceta mais convicta e nem sei se a levam a sério. Nunca me bastei, sabe? Eu achar que sou poeta ou escritora nunca foi o suficiente. Sempre prestei atenção aos sinais externos, e eles demoram, nem sempre são honestos, explícitos ou justos. Já a professora é meio incidental, no sentido de que não foi algo que pensei desde sempre, desde criança. Eu apenas descobri que escolhi na vida exercer trabalhos muito difíceis, pouco valorizados, e que, incrivelmente, o de professora era o menos difícil deles e garantia minha emancipação. Mesmo assim, fiz todo o possível para alcançar um posto de professora que não inviabilizasse minha vida de escritora. É muito difícil fazer isso, mas tenho conseguido parcialmente. E, claro, sem deixar de viver as funções de mãe de um adolescente, namorada, filha, irmã, tia-madrinha, amiga de algumas pessoas, colega de várias, tentando sempre ser generosa e colaborativa.

2 – Você está pesquisando sobre mulheres editoras no Brasil, por que essa pesquisa se faz importante? O que te motivou?

Atuei como editora alguns anos, antes de assumir de vez a vida de professora. Mantenho certa vida editorial, desde então. Sempre convivi com mulheres nos bastidores desse trabalho, mas nunca as vi protagonizarem um livro de memórias dos “homens importantes e influentes”. Lendo a monumental obra do Laurence Hallewell, O livro no Brasil, também achei curioso que as mulheres fossem muito timidamente citadas, às vezes sequer seus nomes completos apareciam, em especial se não estivessem no Rio ou em São Paulo. Uma coisa dessas só pode ser parcial demais, eu pensava. Estudei as escritoras por alguns anos, interesse íntimo meu como alguém que se projeta escritora, e não via referências a outras mulheres em cargos de direção e decisão. Em especial no século XX, a história é sempre contada sobre os homens relevantes, mesmo quando são contadas por pesquisadoras ou biógrafas. Bom, era evidente que poderia ser uma lacuna nessa narrativa. Passei então a procurar os vestígios dessas possíveis editoras, o que também era difícil, pois a ausência de material sobre elas as tornava invisíveis. Daí passei a procurar as fontes primárias, isto é, os acervos de escritores ou editoriais. Aqui e ali, é possível encontrar vestígios de mulheres que fizeram parte de processos editoriais relevantes. E fui vendo em que tempos elas atuaram, consegui encontrar algumas ainda vivas, passei a entrevistar, a conseguir livros meio raros, etc. O que me motiva é que me parece possível rasurar a história editorial e mesmo literária fazendo as devidas inserções. Não é tirar ninguém, não se trata de uma competição, nesse sentido. É dizer quem mais estava ali, naquele momento; quem mais participava e tomava também decisões; quem teve aquela ideia e executou aquele trabalho; que outras pessoas, em outros lugares, também faziam, pensavam, editavam. Considero isso suficientemente importante para ser feito. Tenho investido meu tempo de pesquisadora nisso e não estou só. Reuni um grupo grande de pessoas interessadas e conheci colegas em outros países que fazem algo semelhante. Para que este trabalho vá se consolidando, é necessário que mais pessoas o desenvolvam, publiquem, institucionalizem e jamais se esqueçam de que somos várias pesquisadoras, e que citar as colegas é ético e importante. São como “pegadas” que precisamos deixar e que, hoje, tenho dificuldade de encontrar, quanto mais atrás no tempo quero pesquisar.

3 – Sua experiência como escritora contribuiu para notar essa ausência de mulheres na edição?

Sim, claro. Minha experiência como escritora é mais da metade da minha vida, hoje. Só reitero que notava a presença das mulheres na edição, mas a ausência da narrativa sobre elas. Elas nunca estiveram ausentes disso. No Brasil, mulheres editam jornais pelo menos desde o século XIX (para mencionar apenas o período posterior à vinda da família real). Mulheres foram donas de tipografias importantes, depois de viúvas dos tipógrafos. Era muito improvável que elas não tivessem participação na edição de livros.

4 – No vídeo feito para o Rastros Lectores você utiliza o termo mulheres “inenarradas”, já no livro publicado pela Zazie Edições você utiliza “subnarradas”, poderia falar um pouco sobre essa escolha desses adjetivos? 

Na verdade, estou usando os dois e com sentidos um pouco diferentes. É que às vezes me incomoda um pouco a palavra “apagadas” porque elas sequer foram narradas, não foram “escritas”, embora tenham existido. No livro da Zazie eu tentei dar uma desdobrada ou uma refinada na ideia, sentindo-me dona da liberdade que o gênero ensaio me dá. As inenarradas são as que jamais foram narradas e deveriam; as subnarradas são as que são insuficientemente narradas (são apenas mencionadas, por exemplo, sem qualquer aprofundamento, às vezes listadas a par de uma fiada de nomes masculinos). Acho que isso me dá mais chance de dizer que penso que elas precisam entrar na história que se conta às pessoas, para que notemos que elas também construíram nosso país, nossa cultura, nossa bibliografia, nosso pensamento.

5 – Como está sendo realizada essa pesquisa? E como é feito o registro?

A pesquisa é feita com toda a precariedade a que estamos acostumadas e agora com ataques adicionais à área das Humanidades. Bom, minha pesquisa em fontes primárias (cartas) no Acervo de Escritores Mineiros da UFMG gerou muitas anotações, muitos escaneamentos e muitas anotações. Junto disso, a leitura de obras conseguidas a custo também ajuda a construir uma lógica para esta história. Em termos metodológicos, tenho investido em pesquisa bibliográfica, documental e em entrevistas. É um quebra-cabeça com as peças bem espalhadas. Vou trabalhando nos documentos, juntando os pontos e compondo o que espero ser uma narrativa próxima da coerência e dos fatos, embora seja minha visão e sem desconsiderar a faceta performática de documentos como cartas, por exemplo. Toda vez que encontro ou sou apresentada a um nome feminino em algum lugar, ele funciona como um link, um nó que me levará a uma personagem interessante. Foi assim que deparei com Lina Tâmega Peixoto, por exemplo, link dado a mim pelo querido pesquisador e doutorando Mário Vinícius. Lina foi uma poeta-editora (é recém-falecida) que ainda consegui entrevistar brevissimamente. Ela editou uma importante revista literária mineira/brasileira. Este é outro ponto que me incomoda: a história só é contada como brasileira por alguns que se acham mais “universais”; os outros, o que se acham mesmo outros, engoliram isso e talvez até se sintam “menores”, contam como história mineira, história isto ou aquilo, como se não fôssemos parte de uma história grande, maior, de um país inteiro, e que o alcance do que aqui acontece só tivesse importância ou impacto num raio de alguns quilômetros. O que Lina fez foi também importante para todos e todas, fez parte de um momento da história brasileira e latino-americana. Teve relação com fatos semelhantes em outras plagas, embora o mundo fosse, à época, anos 1940, muito menos conectado em tempo real.

6 – Quais são os principais problemas metodológicos para a realização dessa pesquisa até agora?

O primeiro problema metodológico é encontrar fontes. Se uma mulher não foi “registrada”, de alguma forma, em sua atuação de editora, como saber hoje? Então é preciso investigar, escarafunchar mesmo. Para encontrar muita informação sobre as publicações de Henriqueta Lisboa, por exemplo, tive de ler não as cartas dela, mas as de homens de sua época. Eles a mencionavam ou trocavam cartas com ela ou simplesmente contavam dela a alguém. Nesse sentido, é um percurso errático… que depende dos links que vão aparecendo. É um método hipertextual por excelência. Outro problema é que muitas dessas personagens estão vivas, já que esta história é recente, é do tempo presente, em especial quando decidimos pensar na edição de livros literários, que é meu caso. Vamos definindo o objeto, dando a ele um perfil mais claro, e aí as personagens e as fontes vão também ficando mais claras ou mais escassas. É uma alegria ter contato com uma mulher que editou nos anos 1940, mas pode ser difícil entrevistá-la, ter acesso, ela pode estar doente, por exemplo. Então é preciso ter muito cuidado e delicadeza. Escrever sobre essas experiências é emocionante, mas é também difícil. É muita responsabilidade e muito risco.

7 – A teoria feminista tem contribuído para as análises dessa pesquisa?

Estou mais preocupada com teorias da edição, o pensamento sobre as redes intelectuais, modos de ver a produção editorial, mas pensar em teorias feministas foi incontornável. A perspectiva de gênero era evidente na investigação que me propus e foi imprescindível ler, encontrar interlocução sobre isso, etc. Gosto muito de pensadoras feministas que se aproximam da discussão sobre ciência, fazer ciência e sobre a literatura. Também dos pensamentos decoloniais. Mas preciso ainda ler muito para que talvez esta sensação de confusão se amenize em minha cabeça.

8 – Você já tem uma média de editoras encontradas? Poderia citar algumas “precursoras” da edição? Algumas editoras contemporâneas?  De onde elas são?

Fiz uma pesquisa pela internet, um tempo atrás, e encontrei mais de 200 respostas de pessoas autodeclaradas editoras. Hoje é impossível de contar. Por isso é importante desenhar bem o perfil do que tem me interessado como “editora”. Nada impede que alguém estude as editoras que apenas se autoeditam, por exemplo, mas eu quero saber agora das que editam outros/as, apenas para citar um critério que tenho usado para chegar às fontes e às personagens que procuro. Em décadas anteriores, em especial no século XX, essas mulheres vão ficando mais raras, aparentemente, e aí é possível divisar razoavelmente algumas figuras que foram bem protagonistas, embora a decisão de narrar suas importantes histórias não tenha sido tomada à época. Vou começar pela professora e editora Zahidé Muzart, da editora Mulheres, em Santa Catarina. É interessante porque há toda uma peculiaridade na história dela e da casa editorial, um feito muito pessoalizado, uma relação forte com a universidade pública, grupos de pesquisa, etc. O que essa mulher e suas colegas fizeram foi impressionante, compondo um catálogo de mais de uma centena de títulos, entre obras literárias “resgatadas” e teoria feminista. Eram uma verdadeira janela para a teoria e o pensamento mundial sobre o tema. No livro do Hallewell, por exemplo, edição de 2005, Zahidé é apenas mencionada com o nome escrito errado, numa menção também meio periférica, lateral. Não, a visada tem de ser outra: o trabalho de Zahidé foi muito relevante para os estudos feministas e literários no Brasil e na América Latina. Isso foi dos anos 1990 até a morte dela, em 2014. Outra pioneira, como todas sabemos, é a Maria Mazarello, da Mazza Edições, que vem publicando, desde os anos 1980, obras de autorias negras, muito antes de leis, decretos, etc. É uma editora viva e que vem sendo narrada em livros de entrevistas ou biográficos. Pesquisadoras do futuro terão mais material, se tais fontes não ficarem perdidas e raras. Nos dias que correm são muitas mulheres editoras e tem sido impossível contar e acompanhar com precisão. Vamos fazendo o monitoramento de tudo o que surge e tentando registrá-las. Já fiz isso em alguns textos.

9 – Você está sempre produzindo, publicando. Teve produções “independentes”?

Quase todas. Meus livros de poesia são todos de casas independentes, desde 1997, quando saiu o primeiro. Tenho livros por casas mais comerciais, mas a maioria está em catálogos que nasceram dos anos 2000 em diante. Gosto desta experiência variada e implicada no cenário. É claro que nos anos 1990 era mais difícil encontrar editoras, eu conhecia muito menos gente e estava começando. Hoje é muito mais fácil, tanto porque há mais espaços de publicação quanto porque fui me construindo à medida que o tempo passou. Nunca deixei de publicar, não desisti (apesar das forças em contrário), fiz redes sociais e de afeto muito bacanas e de longa duração. Colaborei com muitas pessoas, empreendi também, fiz boas parcerias, me investi da função de pesquisadora desse cenário. Meu livro de 2008, o Fresta por onde olhar, é autopublicado, embora tenha lá um nome fantasia. Talvez seja minha experiência mais “independente”. Mas os outros são todos parcerias de variada natureza.

10 – Você se viu em uma posição de se assumir, mesmo que por um momento, como editora?

Várias vezes. Foi minha profissão, minha atuação profissional na carteira de trabalho, por alguns anos. De vez em quando, ainda atuo assim. Quando editei a coleção Leve um Livro, com o Bruno Brum e uma pequena equipe, era o que éramos. Gosto disso, posso fazer. Infelizmente faço menos do que gostaria.

11 – Recentemente, o grupo Mulher na Edição completou 1 ano, meus parabéns! Poderia comentar um pouco sobre o grupo e sobre a comemoração? Vocês lançaram um livro pela LED (editora experimental do CEFET-MG), “Escreva como uma mulher”, foi um espécie de livro coletivo não é isso? Poderia falar do processo e dessa sutil alfinetada?

Este grupo é uma grande alegria. Ele nasceu quando a Fapemig aprovou meu projeto de pesquisa, para o qual convidei como coordenadoras as professoras Paula Renata Melo Moreira e Maria do Rosário Alves Pereira, do CEFET-MG. Daí resolvemos sistematizar nossas leituras, os estudos, nosso contato, enfim, e pensamos: “vamos estudar um texto por mês?”. Daí nasceu o grupo de estudos e deixamos as portas abertas a quem quisesse acompanhar, participar. Para nossa alegria, várias pessoas aderiram a estes encontros. O grupo seleciona um texto mensal para leitura e o comenta num dia marcado. Fazíamos isso no campus, mas com a pandemia passamos a fazer virtualmente, o que ampliou muito nosso alcance. De repente, tínhamos mais de cem pessoas cadastradas, recebendo nossos textos, informes, dicas, etc. Gosto muito desse tipo de trabalho, que reúne pessoas e interesses, num clima de colaboração. Quando fizemos um ano, resolvemos oferecer algumas ações: oficinas e uma live com uma convidada muito especial, a professora Eurídice Figueiredo, da Universidade Federal Fluminense. Eu, Rosário e Renata propusemos cursos curtos e gratuitos, oferecemos, as pessoas se inscreveram e foi uma delícia. Do meu, que era de produção literária, surgiu uma coletânea de contos. A ideia não era publicar, mas ficou tão legal, as participantes se engajaram tanto, que a Renata me deu esse toque, disse que tinha de ser uma coletânea mesmo. Então fizemos. A Paloma Vidal, escritora argentino-brasileira, cedeu o conto dela, do qual partiu a oficina, e o volume ficou bem legal, diverso, com escritoras de várias partes do Brasil, estilos diferentes. Com o envolvimento de estudantes da graduação em Letras do CEFET-MG, foi possível tornar o volume um item do catálogo da LED, editora laboratório. O título da oficina e do livro é uma jogada com o escrever como uma mulher, pensando que pode haver um modo peculiar de fazer isso ou não; escrever com uma mulher, tanto porque a professora era eu quanto porque o conto motivador é da Paloma Vidal; também pensando nessa frase que ganhou as ruas “lute como uma garota” e suas muitas variações. É um título de muitas camadas, dimensões e cheio de provocação. Obrigada pelos parabéns! São coletivos também.

Conheça mais sobre os escritos e trabalho da Ana Elisa Ribeiro em seu site: https://anadigital.pro.br/

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Entrevista com Deh Mussulini

Entrevista via e-mail. Perguntas elaboradas por Cecília Castro – Editora Luas

1 – Deh, você foi a primeira autora publicada pela Editora Luas, com o livro de poesia “Todas as primaveras em mim”, como aconteceu o convite e o processo de produção do livro? Como você se sentiu?

Após um show meu que a Cecília, dona da editora foi assistir, veio o convite de fazer o que seria o primeiro livro da Editora Luas. Meu livro de poesia. Para mim foi muito inusitado!, eu nunca havia me visto como uma escritora, muito menos de poesia. Mas Cecília disse que os textos, as letras das minhas canções eram pura poesia. Engraçado que eu nunca havia pensado dessa forma, que minhas canções poderiam ser publicadas em um livro na forma de um livro poético. Então juntei escritos meus antigos, reli várias poesias e textos, alguns que viraram canções outros que apenas eram registros de um momento meu. Nesse movimento, fiquei muito inspirada (e extremamente grata), o que me incitou a escrever bastante. Muitos desses novos textos, poesias, prosas, entraram para o livro Todas as primaveras em mim.

2 – O seu livro é dividido em quatro Séries: Deusas, Eu, Natureza e Luas. Como foi o processo de construção do livro, seus critérios de seleção e organização dos poemas antes de entregar o material para a editora?

Acho que essa pergunta é quase uma continuação da pergunta anterior, então vou continuar a partir da resposta anterior…

No processo de buscar meus escritos e na inspiração de escrever mais textos, percebi que eles poderiam se agrupar em temas. Então, a primeira coisa que fiz foi agrupá-los por afinidade de assuntos. Interessante que foi um processo de autoconhecimento, pras estradas séries demonstraram meus principais pensamentos e vivências, também revelou meu universo de interesse. Dentro disso, selecionei os que considerei os melhores. Depois, passei para minha irmã Thamires, que é uma excelente escritora, para dar sua opinião, e para uma amiga, a Luana Aires, que considero uma grande poeta, para que ela também colocasse seu olhar crítico e sincero. É bom ter a opinião externa de pessoas que admiro muito o trabalho e que sei que teria paciência para ler um livro meu na caridade. (risos)

3 – Você se considera poeta? O que isso significa e como é ter consciência disso?

Hoje sim! A Editora Luas, na figura magnífica de Cecília, me levou a essa conscientização! Isso mudou radicalmente minha relação com minha própria palavra, com meus escritos. É empoderador! Arrisco dizer que me impulsionou a sonhar mais, no sentido literal, e a confiar mais na minha canção!

4 – Seu livro foi publicado no eixo “literatura contemporânea”, em uma editora que só publica mulheres… o que você pensa sobre isso e como isso dialoga com sua vida de mulher que está constantemente inserida em movimentos artísticos de mulheres/feministas?

É interessante quando eu percebo que na verdade eu sempre inseri a literatura no meu trabalho artístico/musical/feminista, pois foi a literatura feminista que me desenvolveu essa consciência do patriarcado. Foi uma frase que criei em uma hashtag #mulherescriando que impulsionou o maior festival de Compositoras do mundo: o Festival Sonora. E também a chamada desse festival que criei “A revolução virá pelo ventre” nos guiou em toda modulação e formulação desse festival que inspirou inúmeras mulheres e se desdobrou em dezenas de ações pelo Brasil! Fora meu trabalho musical que é todo inspirado nas mulheres e no movimento feminista com um cunho espiritualista… pois é… tá tudo junto e misturado no final das contas. (risos)

5 – Quais outras manifestações artísticas você traz para o mundo e quais projetos você já participou?

Acho que meu trabalho de música inserida nas terapias holísticas que trabalho é uma outra forma que criei de manifestação musical no meu universo pessoal. Usar a música como um instrumento para estabelecer a boa saúde mental para o público é algo que gosto muito.

E sobre outros projetos, nossa… já participei e participo de vários, mas destacaria: Coletivo Ana, Coletivo mulheres criando e InVentos.

6 – O que você diria para mulheres que têm um a sensibilidade para a escrita mas acham que o que escreve não é “bom”?

Se você for esperar achar que tá bom suas criações de uma forma geral para então publicá-las ou divulgá-las, isso nunca acontecerá. Vai com medo mesmo e com todas as imperfeições que você enxerga! O que não é perfeito nesse mundo e a busca da forma ideal é apenas mais uma faceta da procrastinação e boicota seu crescimento como pessoa, como mulher! Como diz Jodorowsky: “Todo lo que vás a ser, ya o eres. Lo que buscas ya está em ti.” ❤️

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“Todas as primaveras em mim”

Deh Mussulini, publicado em outubro de 2019 pela Editora Luas Belo Horizonte/MG.
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