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Entrevistas

Entrevista com Deh Mussulini

Entrevista via e-mail. Perguntas elaboradas por Cecília Castro – Editora Luas

1 – Deh, você foi a primeira autora publicada pela Editora Luas, com o livro de poesia “Todas as primaveras em mim”, como aconteceu o convite e o processo de produção do livro? Como você se sentiu?

Após um show meu que a Cecília, dona da editora foi assistir, veio o convite de fazer o que seria o primeiro livro da Editora Luas. Meu livro de poesia. Para mim foi muito inusitado!, eu nunca havia me visto como uma escritora, muito menos de poesia. Mas Cecília disse que os textos, as letras das minhas canções eram pura poesia. Engraçado que eu nunca havia pensado dessa forma, que minhas canções poderiam ser publicadas em um livro na forma de um livro poético. Então juntei escritos meus antigos, reli várias poesias e textos, alguns que viraram canções outros que apenas eram registros de um momento meu. Nesse movimento, fiquei muito inspirada (e extremamente grata), o que me incitou a escrever bastante. Muitos desses novos textos, poesias, prosas, entraram para o livro Todas as primaveras em mim.

2 – O seu livro é dividido em quatro Séries: Deusas, Eu, Natureza e Luas. Como foi o processo de construção do livro, seus critérios de seleção e organização dos poemas antes de entregar o material para a editora?

Acho que essa pergunta é quase uma continuação da pergunta anterior, então vou continuar a partir da resposta anterior…

No processo de buscar meus escritos e na inspiração de escrever mais textos, percebi que eles poderiam se agrupar em temas. Então, a primeira coisa que fiz foi agrupá-los por afinidade de assuntos. Interessante que foi um processo de autoconhecimento, pras estradas séries demonstraram meus principais pensamentos e vivências, também revelou meu universo de interesse. Dentro disso, selecionei os que considerei os melhores. Depois, passei para minha irmã Thamires, que é uma excelente escritora, para dar sua opinião, e para uma amiga, a Luana Aires, que considero uma grande poeta, para que ela também colocasse seu olhar crítico e sincero. É bom ter a opinião externa de pessoas que admiro muito o trabalho e que sei que teria paciência para ler um livro meu na caridade. (risos)

3 – Você se considera poeta? O que isso significa e como é ter consciência disso?

Hoje sim! A Editora Luas, na figura magnífica de Cecília, me levou a essa conscientização! Isso mudou radicalmente minha relação com minha própria palavra, com meus escritos. É empoderador! Arrisco dizer que me impulsionou a sonhar mais, no sentido literal, e a confiar mais na minha canção!

4 – Seu livro foi publicado no eixo “literatura contemporânea”, em uma editora que só publica mulheres… o que você pensa sobre isso e como isso dialoga com sua vida de mulher que está constantemente inserida em movimentos artísticos de mulheres/feministas?

É interessante quando eu percebo que na verdade eu sempre inseri a literatura no meu trabalho artístico/musical/feminista, pois foi a literatura feminista que me desenvolveu essa consciência do patriarcado. Foi uma frase que criei em uma hashtag #mulherescriando que impulsionou o maior festival de Compositoras do mundo: o Festival Sonora. E também a chamada desse festival que criei “A revolução virá pelo ventre” nos guiou em toda modulação e formulação desse festival que inspirou inúmeras mulheres e se desdobrou em dezenas de ações pelo Brasil! Fora meu trabalho musical que é todo inspirado nas mulheres e no movimento feminista com um cunho espiritualista… pois é… tá tudo junto e misturado no final das contas. (risos)

5 – Quais outras manifestações artísticas você traz para o mundo e quais projetos você já participou?

Acho que meu trabalho de música inserida nas terapias holísticas que trabalho é uma outra forma que criei de manifestação musical no meu universo pessoal. Usar a música como um instrumento para estabelecer a boa saúde mental para o público é algo que gosto muito.

E sobre outros projetos, nossa… já participei e participo de vários, mas destacaria: Coletivo Ana, Coletivo mulheres criando e InVentos.

6 – O que você diria para mulheres que têm um a sensibilidade para a escrita mas acham que o que escreve não é “bom”?

Se você for esperar achar que tá bom suas criações de uma forma geral para então publicá-las ou divulgá-las, isso nunca acontecerá. Vai com medo mesmo e com todas as imperfeições que você enxerga! O que não é perfeito nesse mundo e a busca da forma ideal é apenas mais uma faceta da procrastinação e boicota seu crescimento como pessoa, como mulher! Como diz Jodorowsky: “Todo lo que vás a ser, ya o eres. Lo que buscas ya está em ti.” ❤️

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“Todas as primaveras em mim”

Deh Mussulini, publicado em outubro de 2019 pela Editora Luas Belo Horizonte/MG.
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